
Selmer- A banda sempre se destacou por fazer um som inovador, buscando novas referencias musicais, novos caminhos em termos de divulgação. Pra esse novo disco “Milhões de Milhas” quais são as novidades?
Fábio Alba - O disco contém 32 músicas aproximadamente.A gente mistura folk, country, rock. O brit-rock é um lance que ta começando agora. Tem também uma canção chamada "Andarilho " com um estilo meio Grunge. Só que a gente não vai na onda. Tentamos sempre fazer antes. Quando se fala do country, por exemplo, estamos falando de Jonny Cash, kings of Leon que estouraram lá fora.Aqui no Brasil nem tanto.O rock veio do country, do blues, do gospel e do rockabille. Enfim, tem todos esses elementos no disco novo.Não é fácil por exemplo, colocar gospel no disco por que somos um país conservador. Mas o u2 fez isso na música “have fun and a look for”. Essa mistura pop é que determina o som da nossa banda. “Somos alternativos por circunstâncias , não por àquil0 que a gente sonha”. Por isso a gente não é tão conhecido. Estamos produzindo um clip em stop motion com uma das Músicas do nosso disco novo, chamada "Na Madrugada". O David é escultor e esta entrando num lance de estilista. Ele também esta fazendo os bonequinhos. Em seguida faremos as fotos e a animação. Tentamos nos renovar o tempo todo.São 13 anos no underground por que a gente não é uma banda de sucesso. Dentro desse lance de inovar surgiu também a necessidade de ter o nosso próprio estúdio.A gente passava um longo tempo gravando dentro dos estúdios mas não ficava legal.Então a gente decidiu que teríamos o nosso próprio estúdio. David D'epiro - Então resolvemos gerenciar a nossa própria carreira.
Fabio Alba – Mais que saturado o som, pra mim ta saturado o discurso.O que se ouve das bandas, o que os caras falam, as letras, enfim, já deu né...E tem também esse lance meio maquiado, padrãozinho de se vertir. E coincidência ou não, veio numa época do rock and roll plastificado do final dos anos 80. Que também se reflete no rock produzido hoje. Totalmente plastificado. Os caras até que tocam bem, mas não tem conteúdo. É mais maquiagem do que conteúdo.
David D'epiro- O rock and roll ta viado pra caralho né!A gente é da época de Led zepellin que era uma banda de andrógenos. Mas era uma provocação, década de 60 com liberação sexual, era outro contexto. Era um viado macho! (risos geral) Hoje existe uma meia dúzia de Punk de apartamento que o pai e a mãe não cuida, aí o cara vai beijar o amiguinho, sabe!
Essa nova roupagem que a industria detectou intitulada de EMO trouxe bandas do tipo: My chemical romance, panic at the disco entre outras, formando assim um novo mercado e, a partir dai começaram a investir nesse tipo de público. E até pensando nesse vai e vem de tendências, na Inglaterra, que é a terra do britrock tem uns caras fazendo South rock.Por exemplo, foi de seatlle que veio o sotaque caipira do nirvana, Alice and chanis e Pearl Jam. A gente é do interior véio. Então a gente por associação sacou que a nossa veia era essa. Veja bem! Não foi por que ta na moda. Até por que a influência artística é como um radar, ta aberto o tempo todo. A gente sacou que esse era o nosso caminho.
Fabio Alba – Estamos falando do rock atual, mas o rock nacional dos anos 90 era horrível cara. Raimundos foi a maior expressão dos anos 90. " Nos anos 90 as bandas estavam em busca do novo. Só que o novo às vezes é ridículo."
Tinha também Maria do Relento, Tantra e os Virgulóides que, até tinha alguma coisa interessante, mas eles colocavam aquele solo de axé na música então ficava horrível.No contexto geral era muito ruim.
David D'epiro – Se você falar mal a molecada te mata, mas era uma merda! A gente pegou a pior parte.
Selmer – Como fazer então pra ganhar dinheiro e manter uma banda hoje só com a divulgação na Internet?
Fábio Alba – Esse é o grande dilema! Quem descobrir vai ficar rico.Na verdade não se ganha dinheiro com música, mas com outros produtos como, por exemplo: Camisetas da banda entre outras coisas que a gente vai lançar.
David D'epiro– Tenho quase certeza que a gente ta sendo precursor num lance que a gente ta preparando.Daqui há uns três meses a galera vai ficar sabendo. É um lance que a gente encontrou pra mostrar o nosso som, por que é fogo! Não dá pra ficar esperando o nosso som tocar nas rádios por que a gente tem que ficar competindo com byonce, black music que é uma puta de uma jabazeira do inferno. Chegamos a pagar 20 mil pra nossa música tocar nas rádios. Na verdade a gente não por que a gente não tem porra nenhuma. Os empresários da gente é que pagaram 20 mil pra nossa música tocar nas rádios cara. Isso pra gente é um crime, um seqüestro com a nossa música. Isso a gente não aceita mais.Se não querem tocar, foda-se! Mas ainda existem rádios parceiras que tocam o nosso som. No sul do país tem uns caras que tocam a nossa música até hoje sem jabá, sem porra nenhuma. Maré vazante ta lá no top list das rádios até hoje cara.
Fabio Alba - “ Hoje virou o oposto, a radio é que tem que depender do artista. A gente não tem que ficar implorando e pagando pras rádios tocarem o nosso som.”
David D'epiro - Sobre as novas músicas que estão no myspace, já tivemos mais 500 mil acesso.É gente pra caramba.Todos os dias tem gente adicionando a gente.Temos uns 6 mil amigos. Claro que a maioria são bandas, mas temos muitos fãs também. Inclusive fãs do Tocantins, Maranhão. Eu mesmo outro dia tava ouvindo uma banda chamada Terceira Edição.Boa pra caramba. Como que uns caras desses vão imaginar que eu aqui em São Jose vou estar ouvindo a música deles?
Fábio Alba - falando em Briprock, e estão surgindo varias bandas nessa ondinha né. Modéstia parte a gente já deu esse pulo faz tempo.Por que por exemplo, o disco Milhões de Milhas que começou a ser produzido em 2004/2005 já tinha essa influência. E coincidência ou não, veio numa época do rock and roll plastificado no final dos anos 80.Que também se reflete no rock produzido hoje.Totalmente plastificado.Os caras até que tocam bem, mas não tem conteúdo.É mais maquiagem do que conteúdo.
David D'epiro - A gente sempre paga a conta por ter sacado antes,. Sabe como é? " Mais ou menos livres", um dos nossos discos é uma espécie de tio dos Detonautas. A gente sacou antes.
Fábio Alba - E não somos nós que estamos falando.Quem conhece os dois discos, compara e percebe que o nosso disco tem um lance diferente.Pra melhor né cara!A gente é como aquele cara que vai à frente do batalhão e acaba morrendo.Os que estão vindo lá trás é que acabam chegando.(Selmer - Mas nesse caso tem o lance da condecoração...Não serve pra nada, mas...riso geral... )
David D' epiro - Então as opções são: Ou você embarca na onda e faz um lance mais fácil, ou tenta ser você mesmo de forma inovadora.O legal quando a banda tenta um trabalho inovador é que tem gente que saca.Tem um público que faz Facu, que lê, que busca informação. Esse é o perfil dos nossos fãs. "O cara que gosta da nossa música é um cara que pensa."
Fábio Alba – Talvez por que a música, o discurso esteja batido, então apelou pra isso. Se formos pensar bem, a sensualidade sempre esteve aflorada no rock. Só que de uma forma mais poética.
selmer - Cara, sobre esse dom de ser compositor que você tem David, que inclusive é bastante elogiado pela galera em geral e pelas bandas também. De onde começou esse lance de escrever?
David D'epiro - Começou com o sezinha com as duas primeiras músicas. Eu achava muito ruim e, até já falei isso pro sezinha, então sei que ele não vai pegar mal por que ele é um puta Brother. Eu pegava umas frases dele e tentava melhorar.E nisso eu fui treinando essa parada de escrever. Geralmente o que eu leio não tem nada a ver com que eu escrevo. Já li Donw Bronw, Orson wells (1984) e outros clássicos também. Nisso tem um fator espiritual que gerou até uma discussão com uma banda famosa quando a gente foi tocar lá em BH. O cara começou a discutir comigo quando eu falei que o dom não vinha de mim e, parafraseando Bob Dilan eu havia dito que eu apenas entregava as cartas...Quando eu quero escrever não sai nada. Quando não quero vem, aí eu tenho que parar pra escrever cara. Fabio Alba - É quase um chico Xavier do Rock and Roll...(risos...) David - Tem até um empresário que diz que o mackzero 5 é o U2 Brasileiro pelo fato de ter esse lance meio messiânico. Creio que é uma força divina. Eu só posso acreditar nisso! (selmer - você não fez pacto com nada não né? rs) Não! E nem posso por que eu já sou a contradição em pessoa. Sou cristão e Judeu ao mesmo tempo.
Fabio Alba - Ele não pensa nas palavras que ele vai usar na música, mas naquelas que ele nunca vai colocar numa música." Parafraseando à maneira de David ..
- David D'Epiro - Voz/guitarra/gaita/bandolin
- Fabio Alba - Guitarra
- Leandro Nunes - Baixo
- Osmar Filho - Bateria
Agradecimentos Especiais:
Estúdio Over Sonic, Fábio Alba e David D”EPiro pelo tempo concedido para entrevista e, claro pela amizade...
valeu! selmer...
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